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Duda, armadora da seleção brasileira (William Lucas/Photo&Grafia)

Maio foi mais um mês especial na vida de Eduarda Amorim, a Duda. No início do mês, a armadora do Györi Audi ETO KC, da Hungria, foi escolhida como melhor defensora da Champions League Feminina de Handebol e pôde comemorar o tricampeonato conquistado pela equipe que defende desde 2009.

De volta da Europa, está de férias de seu clube, mas vai defender o Brasil no III Torneio Quatro Nações – 9 a 11 de junho, em São Bernardo (SP) – e no Campeonato Pan Americano – 18 a 25 de junho, em Buenos Aires (ARG).

São mais alguns capítulos na carreira da consagrada atleta de 30 anos, que foi a primeira brasileira campeã da Champions (2013), conquistou o inédito título mundial com a seleção feminina e ganhou o prêmio de melhor jogadora da competição (2013); e foi eleita a melhor jogadora de handebol do mundo em 2014.

Mas como a armadora faz para se manter sempre motivada? E fora das quadras, quem é a Duda? Quais são seus gostos? E seus planos para o futuro? Essas e outras respostas da catarinense, na entrevista a seguir.

Uma palavra: guerreira
Comida: risoto de camarão da mãe
Uma saudade: infância
Uma música: One – U2
Passatempo: brincar com o Thor (cachorro)
Paixão: handebol
Sonho: ir para um safari

Como surgiu o handebol na sua vida?
Duda –
Foi na escola. Minha irmã (Ana Amorim) jogava na seleção júnior. Enquanto esperava os treinos dela, fui convidada para bater uma bola. Gostei e continuei.

 O que o handebol significa para você?
Duda –
Realizações, sucesso, aprendizado

Como é a Duda dentro de quadra?
Duda –
Focada. Feliz. Determinada.

Como é a Duda fora de quadra?
Duda –
Feliz. Dedicada. Ativa.

Uma curiosidade sobre você que ninguém saiba?
Duda –
Boa pergunta. Acho que muita gente não sabe que calço 43 (risos)

Você acompanha algum outro esporte?
Duda –
Gosto de ver algumas partidas de tênis. Acho interessante o nível de concentração de um esporte individual.

Qual o comparativo com o handebol, nesse sentido? O nível de concentração é diferente? O que você aprende assistindo ao tênis? Você acha esporte individual mais difícil que coletivo?
Duda –
Acho que individualmente é igual. Você tem que focar no seu trabalho e saber lidar com o erro; estar preparada para qualquer situação da partida, para os momentos bons ou ruins. Mas considero mais difícil, não tem muito espaço para ganhar se não estiver num dia bom. E no coletivo você recebe e dá ajuda… no tênis fica muito sozinho. Mas prefiro conquistar algo em grupo, é muito mais difícil juntar pessoas pra lutar pelo mesmo objetivo.

Já jogou tênis? Tem vontade de aprender?
Duda –
Tenho vontade de aprender. O segundo técnico do meu clube é um atleta amador muito bom. Já me convidou, mas nos meus dias livres preciso descansar o corpo. Quem sabe mais para frente.

Do que você mais sente falta do Brasil?
Duda –
Família, amigos e comida.

Normalmente, qual a primeira coisa que você faz quando chega ao Brasil? Como são seus dias quando está aqui?
Duda –
Corridos, mas sempre tem um tempinho para ir à praia e tomar um banho de mar, mesmo que gelado. Sempre encontro com minhas melhores amigas, sempre como rodízio de pizza ou carne porque na Europa não tem. E sempre tento visitar os familiares mais próximos.

Você ainda tem um bom tempo de quadra pela frente, mas já pensou no que vai fazer depois que parar de jogar?
Duda –
Eu ainda não tenho claro na minha cabeça se vou morar no Brasil ou na Macedônia (país natal do marido), mas eu gostaria de continuar no handebol, não como técnica, mas talvez como empresária (de jogadoras) ou delegada de partidas. Vamos ver se dá certo.

Por que não técnica? E por que essa vontade de ser delegada de partidas?
Duda –
Porque não acredito que teria paciência para ser técnica. É muito trabalho. Pensaria em handebol 24 horas por dia. Já faço isso hoje, não quero isso para depois da minha carreira. Talvez trabalhar com crianças, que é algo prazeroso, seria uma opção. Mas não decidi ainda. Como delegada, seria uma opção de me manter conectada com o handebol e uma posição que tem mais flexibilidades com horários de trabalho. Vamos ver mais para frente, aonde o destino me leva

E na vida pessoal, o que falta? Planeja ter filhos?
Duda –
Graças a Deus está tudo bem na vida pessoal. Planejo sim ter uma família. Provavelmente depois de Tóquio (Jogos Olímpicos de 2020). Devo fazer umas viagens primeiro e depois tentar engravidar

O Györi vem mantendo-se no topo há um bom tempo. A que você atribui isso?
Duda –
Ao profissionalismo do clube. Eles têm uma estrutura ótima e contratam boas jogadoras e bom técnico. Temos uma boa mentalidade e treinamos sempre 100%. Tudo isso fez o sucesso da equipe em todos esses anos.
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Você tem contrato com o Györi até 2019. Como é estar há tanto tempo em um só clube?
Duda –
Eu amo jogar aqui, é um lugar que me desafia todo dia. Tenho muito orgulho de fazer parte de todos esses anos de conquistas. E parece que estou fazendo história. Depois da (Anita) Gorbicz, eu sou a atleta que está há mais tempo no clube.

Você já conquistou muitas coisas com o Györi. Como se motiva para conquistar mais?
Duda –
Eu me considero uma lutadora e eu amo ganhar. Isso que me motiva: vitórias e a chance de conseguir títulos. Sem contar que todo ano a equipe sofre mudanças de jogadoras. Me motiva precisar me adaptar sempre e jogar com novas atletas de muita qualidade.

Sua rotina, em período de competição, é bem puxada. Sobra tempo para fazer algo mais
Duda –
É bem puxado sim, temos dois jogos por semana, treinamos, viajamos, assistimos a vídeos com o time e eu estudo vídeos em casa também. Mas faz parte, já vira uma rotina. Eu procuro também fazer outras atividades para relaxar a mente: sair com o marido, passear com o cachorro e estou fazendo um curso de gestão financeira à distância. Isso me ajuda a espairecer.

Você ganhou um prêmio individual mais uma vez, sendo eleita a melhor defensora da Champions League. Como faz para se manter no topo constantemente?
Duda –
É um desafio. Um dos motivos para me manter no topo é que nunca me acomodo. Mesmo quando fico feliz com minha performance, não fico totalmente satisfeita. Sempre acredito que posso evoluir em alguma área. E, também, porque enquanto jogar, quero aproveitar o máximo da minha carreira. Tudo o que eu tiver chance para conquistar vou lutar para conseguir.

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Material fornecido pela Assessoria da CBHb

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Em entrevista exclusiva, o presidente da Federação Internacional de Handebol (IHF), Hassan Moustafa, destacou o trabalho que está sendo feito pelo handebol brasileiro. Os recentes resultados em campeonatos internacionais, incluindo as performances das Seleções Feminina e Masculina nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, chamaram atenção para o desenvolvimento da modalidade. Aliás, o maior evento do ciclo foi muito bem avaliado pelo dirigente, já que a modalidade foi a segunda em número de venda de ingressos, atrás somente do futebol.

Na entrevista, Moustafa fala também sobre as parcerias desenvolvidas pelo handebol nacional com outros países, as mudanças nas equipes e sobre o futuro do handebol de areia, um esporte dominado pelos brasileiros e que tem grandes chances de se tornar olímpico em breve. Para completar, o presidente demonstra uma grande expectativa com relação à participação do time masculino no Mundial da França, já no início do ano.

2016 foi um ano olímpico e de grandes mudanças para o handebol, inclusive com implantação de novas regras. Qual sua avaliação geral sobre este ano?
H.M. – 2016 foi um grande ano para o handebol com uma boa promoção para o nosso esporte. Não só pelo fato de que os campeonatos continentais foram muito bem sucedidos, mas nos campeonatos mundiais de categorias de base da IHF pudemos ver que cada vez mais equipes não europeias têm um futuro brilhante à frente.
Naturalmente, os Jogos Olímpicos foram o destaque de todos os eventos esportivos deste ano e me deixou orgulhoso de ver o handebol como o segundo esporte mais popular, atrás somente do futebol. Isso é um grande sucesso. Quanto às novas regras, que entraram em vigor antes do Rio 2016, elas foram bem recebidas e acho que os árbitros e as equipes se adaptaram muito bem.

O que mais chamou atenção nos Jogos Olímpicos do Rio? Qual sua avaliação? E como isso pode ter contribuído para o desenvolvimento do handebol no Brasil?
H.M. – As Olimpíadas de 2016 foram os primeiros jogos realizados na América do Sul e um bom trabalho foi feito. É difícil dizer o que mais atraiu a atenção, pois o povo brasileiro mostrou sua paixão pelo esporte – todos os esportes – e criou uma atmosfera excelente para espectadores e atletas. Os voluntários e os Comitês Organizadores foram muito dedicados e empenhados em resolver todos os problemas que ocorreram. Os torneios de handebol no Rio correram muito bem e mesmo que, infelizmente, as equipes anfitriãs foram eliminadas nas quartas-de-final, a Arena do Futuro estava cheia nas semifinais e finais. Todas as equipes mostraram grandes desempenhos e nós vimos muitos jogos de handebol atrativos. Os Torneios Olímpicos de Handebol também foram assistidos por muitas celebridades, como pelo Presidente do COI, Dr. Thomas Bach. É uma boa promoção para nosso esporte no Brasil e mostra que o handebol cresceu nos últimos anos.

O handebol teve a segunda maior venda de ingressos nos Jogos Olímpicos, ficando apenas atrás do futebol. Na sua opinião, qual é a razão para isso?
H.M. – O handebol é um esporte muito atraente para assistir e popular no Brasil. É rápido, dinâmico e poderoso – e cheio de paixão. Você não pode prever o resultado de uma partida de handebol até o final dela. Portanto, é um esporte atraente até o último segundo. Quem não gostaria de assistir? As equipes do Brasil são as melhores equipes da América do Sul e, claro, esta é uma boa promoção para o nosso esporte.

Como o senhor vê o desenvolvimento do handebol brasileiro nos últimos anos, já que o país tem o maior número de inscrições oficiais no calendário da IHF, tanto no handebol indoor quanto no de areia?
H.M. – O Campeonato Mundial Feminino de 2011, o Campeonato Mundial Júnior Masculino em 2015 e os Jogos Olímpicos de 2016, bem como o Campeonato Mundial de Handebol de Areia em 2006 e 2014 contribuíram para a promoção do handebol no Brasil, sem dúvida. A Confederação Brasileira, sob a liderança de nosso amigo Manoel Luiz Oliveira – se esforça muito para o desenvolvimento do esporte. Durante anos, o Brasil é participante regular em todos os eventos – em todas as faixas etárias. E nos últimos anos as Seleções sênior do Brasil passaram a ser consideradas não apenas na praia, mas também no handebol indoor. A equipe feminina é uma das melhores do Mundo, haja visto o título mundial em 2013, e como pudemos ver nos Jogos Olímpicos, a equipe masculina pode acompanhar as principais nações europeias. Isto é um bom sinal para o handebol brasileiro e podemos esperar ver muito mais – estou ansioso por isso.

Estamos começando um novo ciclo olímpico e a Seleção Brasileira já começou algumas mudanças, seja na renovação de atletas ou mesmo em comissões técnicas. O que o senhor pensa sobre isso? O senhor acha que as mudanças são importantes na busca por novos resultados?
H.M. – A Confederação e as equipes fazem um bom trabalho, mas para melhorar, mudanças são sempre necessárias. Elas trazem novas perspectivas e oportunidades e mesmo se não são tão bem sucedidas como esperado, você pode aprender com essa experiência e buscar melhores resultados.

Este ano tivemos a implantação do Centro de Desenvolvimento exclusivo do handebol, o primeiro no Brasil e nas Américas. Como a IHF avalia a importância deste espaço para o handebol continental?
H.M. – É um passo importante para o desenvolvimento do handebol no Brasil em particular e das Américas em geral. Nós incentivamos sempre projetos específicos para o handebol e um centro de treinamento é uma das muitas maneiras de melhorar ainda mais a modalidade.

Após a implementação do Centro, já foi realizado um intercâmbio da Seleção de Camarões. O País foi um dos finalistas na Copa da África e se qualificou para o Mundial de 2017. Isso significa que o Brasil também está contribuindo para o desenvolvimento de outros continentes. Qual é sua opinião?
H.M. – Estou satisfeito com essas trocas. É importante para nós, a família do handebol, apoiar uns aos outros e contribuir para o desenvolvimento, não só em nível nacional, mas em todo o Mundo.

O senhor tomou conhecimento recentemente sobre o prêmio Sou do Esporte, recebido pela Confederação Brasileira, que premia as entidades poéticas com melhores práticas de governança, algo sempre incentivado também pela IHF. Pode comentar a respeito?
H.M. – Gostaria de felicitar o nosso amigo Manoel Luiz Oliveira, Presidente da Confederação Brasileira de Handebol, pelos enormes esforços envidados para desenvolver o handebol no âmbito da boa governança. Os Estatutos da IHF prevêem que todas as partes interessadas da entidade devem preservar sua integridade e autonomia e cumprir os princípios de boa governança. Consequentemente, se um de nossos membros está recebendo um prêmio tão importante, eles servem como modelo para todo o resto.

Falando agora em handebol de areia. O Brasil é o país que tem mantido a hegemonia na modalidade há alguns anos e agora está buscando contribuir para o desenvolvimento também na América, com intercâmbio de equipes e profissionais. Quais são as suas expectativas para o handebol de areia nos próximos anos, ainda mais com a entrada nos Jogos Olímpicos da Juventude?
H.M. – Com a tradicional cultura da praia que está profundamente gravada em atletas brasileiros, o Brasil tem sido uma das equipes mais fortes desde o início do esporte. Mas nós temos outras equipes muito fortes como Croácia, Espanha, Hungria e Qatar. Desde que o handebol de areia foi incluído nos Jogos Olímpicos da Juventude, mais e mais federações estão entrando em contato conosco, querendo começar um planejamento para a modalidade. Com um interesse crescente, a IHF lançou o IHF Beach Handball Trophy Project, para o começo na região do Caribe, Oceania e Pan-América, mas esperamos que sua implementação aumente. No momento temos entre 110 e 120 federações que praticam ou praticaram handebol de areia. Esperamos que este número chegue a 150 em todos os continentes até os Jogos Olímpicos da Juventude.

O que falta para o handebol de areia ser olímpico?
H.M. – A fim de alcançar o nosso objetivo de fazer do handebol de areia um esporte olímpico, tomamos várias medidas. Primeiro, incluímos a modalidade nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018 em vez do handebol indoor. Como segunda etapa, organizamos um jogo de exibição em Lausanne, que contou com a presença do Presidente do COI, Dr. Bach, para mostrar o handebol de areia ao COI. Além disso, uma carta foi enviada ao Presidente do Comitê Olímpico Internacional, em que pedimos para incluir handebol de areia nas Olimpíadas. Nosso objetivo é que ele seja colocado no programa olímpico dos Jogos de 2024. Espero que seja, mas isso ainda está escrito nas estrelas.

Quais são os próximos passos para a IHF no desenvolvimento do handebol?
H.M. – Temos vários projetos que contribuem em grande parte para o desenvolvimento do handebol, especialmente nas nações emergentes da modalidade. Além dos cursos para treinadores e árbitros, que são regularmente organizados, a IHF envia, por exemplo, treinadores itinerantes por todo o Mundo e está trabalhando em projetos sob medida para federações. É claro que não devemos esquecer o ciclo de quatro anos e o nosso trabalho com o COI, já que a IHF participa do programa de Solidariedade Olímpica. A IHF quer conquistar especialmente a geração mais jovem, o que é feito, entre outros, através de cursos pela Handball@School, que se tornaram muito populares.

Em janeiro, na França, teremos o Campeonato Mundial Masculino. Qual é a sua expectativa sobre o Brasil, de acordo com o que o senhor viu recentemente?
H.M. – A equipe masculina do Brasil tornou-se a principal equipe da América e mostrou que pode acompanhar as nações europeias, considerando que eles venceram, por exemplo, a Alemanha, campeã europeia, e a Polônia, medalhista de bronze no Mundial do Qatar 2015, durante o Jogos Olímpicos no Rio. A equipe promete mostrar o ‘handebol fenomenal’ no Mundial da França em 2017.

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Fabiana Diniz (Dara) é a capitã da Seleção

Capitã da Seleção Feminina de Handebol há seis anos, Fabiana Diniz, a Dara, é uma referência no esporte, não só pelos inúmeros títulos pela equipe e pelos clubes por onde passou, mas também pela dedicação, disciplina e carisma.

A paulista de Guaratinguetá se prepara para a disputa da quarta Olimpíada de sua carreira e, no Rio de Janeiro (RJ), pretende realizar o sonho de conquistar uma medalha para o País. Depois da maior competição do Planeta, pretende deixar as quadras, pelo menos do lado de dentro, porque fora delas, apesar de vários planos pessoais, Dara não pensa em abandonar a modalidade que tanto ama e sim continuar contribuindo de alguma forma para o desenvolvimento do handebol no Brasil.

Na entrevista a seguir, ela conta um pouco sobre tudo isso, sobre o momento atual da Seleção que foi campeã mundial em 2013, sobre a honra e ao mesmo tempo a pressão de disputar os Jogos Olímpicos em casa e sobre os planos para o futuro.

Agora já estamos em 2016, cada dia mais próximos dos Jogos, como está o coração e as emoções?
O coração está a mil. Contando os dias. É o maior evento esportivo do Planeta. Meu Deus! Fico sem palavras.

Você ainda não se reuniu com a Seleção depois do Mundial da Dinamarca. Como acredita que será esta primeira fase para a equipe completa?
Motivação pura. Acredito que será uma fase dura e muito focada. Temos pouco tempo para acertar muitas coisas importantes. Vamos aproveitar cada dia da fase para dar um passo rumo ao nosso objetivo. Jogaremos um torneio forte, visando estar bem no momento certo.

185649_303697_daraA Seleção Feminina está em um momento totalmente diferente da que vivia em 2012 em Londres, sem o favoritismo que tem hoje. Como você analisa isso?
Tirar o favoritismo jogando em casa, depois de ganhar um título mundial nesse último ciclo é muito difícil. Mas, assim como nesse último Mundial, acho que no handebol não podemos nomear um favorito. Talvez a Noruega pelo histórico que tem. Temos que deixar esse favoritismo que nos está sendo dado do lado de fora da quadra, da Vila, de tudo. Vejo como uma armadilha. Temos que focar jogo a jogo, passo a passo no objetivo que temos.

A pressão de jogar em casa a maior competição do Planeta te assusta?
Não, não me assusta. Ao contrário, me motiva muito. Como já falei, é um privilégio ter um país a nosso favor. É uma honra. É muita responsabilidade sim, mas é algo que eu encaro sem medos, sem fantasmas. Quero apenas enfrentar cada jogo como se fosse o último, sabendo que temos uma nação nos apoiando.

Você como capitã e uma das mais experientes terá um papel fundamental nisso. O que pretende passar para as atletas mais novas que nunca estiveram em um evento tão grandioso como esse?
Principalmente não perder o foco. Estaremos com os melhores atletas do Planeta em suas respectivas modalidades. Não pode existir deslumbramentos. Afinal, também estamos lá. Tudo é um mundo à parte em uma Olimpíada. Qualquer desvio de foco pode custar muito caro.

Você está na Seleção há muitos anos. Quais as mudanças que você destaca desde que entrou para a equipe até o momento atual, não somente em termos de estrutura, mas também na forma de trabalhar das atletas e comissão técnica?
Em termos de estrutura, sem dúvida, fomos de menos a mais. Houve uma melhora imensa, juntamente com o crescimento do handebol. A mentalidade, a competitividade e o profissionalismo também tiveram um grande salto. O amadurecimento da equipe de um modo geral, para mim, é um ponto forte. Destacaria a boa conexão das jogadoras com o técnico.

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Dara, capitã do Brasil, levantou mais uma taça

Como é ser capitã de uma Seleção Nacional? Ainda mais no seu caso, por seis anos. Ser uma referência dentro da equipe?
Sempre digo que é uma honra ser capitã desse grupo. Me sinto muito feliz. Fácil não é. Representar um grupo tem o lado duro, mas consigo administrar bem. Gosto e tento dar o meu melhor sempre.

Você vê alguém que possa assumir esse papel quando você deixar o grupo?
Sim, vejo, mas prefiro não falar (risos). Acredito que o técnico tem esse papel de nomear alguém. Não quero criar nenhuma polêmica (risos).

Você tem uma relação de confiança muito grande com o técnico Morten Soubak fora e dentro de quadra. O que isso significa para o trabalho?
O Morten para mim é um fenômeno. Tenho um respeito imenso por ele, como pessoa e como profissional. Não é fácil ser sua capitã, mas também não é difícil. Temos nossos momentos de discussões, mas sempre em prol da melhora e do crescimento. Tudo pelo grupo. Ele é mais um de nós. Realmente, ele é ‘brasileiro’ e isso para nós atletas faz muita diferença. Alguém que vista a nossa camisa, nossas cores e, principalmente, que acredite que somos capazes.

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Você tem vários ídolos no handebol. Quais são e como você se vê no mesmo papel, como um ídolo para a geração que veio depois de você?
Tenho vários mesmo. Magnus Wislander (sueco, eleito melhor jogador do século XX), Didier Dinar (ex-atleta francês, bicampeão olímpico), Jackson Richardson (ex-atleta francês, considerado um dos maiores da história) e Heide Loke (Norueguesa, eleita melhor do Mundo em 2011) são alguns deles. Gosto de muitos jogadores, cada um por algo especial. Nomeei apenas alguns como exemplos. Gostaria de ser vista como ídolo principalmente no quesito entrega, compromisso e honra em vestir a camisa do meu País. Que minha garra e superação sirvam de inspiração.

Nessa temporada, você foi jogar na Alemanha. Já passou por vários países desde que iniciou a carreira. Qual a diferença entre eles no handebol?
Cada país tem sua peculiaridade. De modo geral, todos vivem muito intensamente o esporte. O nível de profissionalismo é diferente, a torcida também. Na questão jogo, tanto França quanto Alemanha optam por um trabalho defensivo forte e contra-ataques, o que se pode ver nas Seleções. Espanha e Áustria não têm atualmente uma liga tão forte. A Espanha tem um handebol diferenciado, forte nos desmarques e muito habilidoso. Isso é só um resumo por onde passei.

As brasileiras conquistaram um espaço importante na Europa não só pelos resultados da Seleção, mas também pela atuação nos clubes de diversos países. Como você analisa isso?
Acho ótimo. Somos sim o país do handebol! Esse reconhecimento é digno das atletas que temos. Temos muita ‘matéria-prima’ boa para oferecer ao handebol mundial.

Como você vê a geração que vem depois de vocês?
Vejo uma geração boa, porém, que vai precisar trabalhar muito, tanto quanto nós e outras gerações antes de mim trabalharam. O trabalho é duro e constante. Não adianta pensar que está tudo feito e agora é só desfrutar. Sempre será cada vez mais difícil. Um bicampeonato mundial será mais difícil do que foi o primeiro. Não bastará ter talento.

Muitos atletas estão se preparando para encerrar a carreira após os Jogos Olímpicos, esse é um processo que é sempre muito difícil. Você acha que o fato dos Jogos serem no Brasil facilita a despedida?
Mais que facilitar, acho que é algo muito bonito encerrar a carreira dentro de casa no maior espetáculo do Planeta. Eu diria que é um privilégio.

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Você também pretende encerrar a carreira depois dos Jogos? Isso já é algo claro na sua cabeça?

Sim, pretendo fechar com chave de ouro. Depois de anos fora do meu País, é uma honra terminar em casa. Tenho clara a decisão de parar. Sem dúvida, não é fácil, nem uma decisão para ser tomada do dia para a noite, mas acredito ser um momento bonito na minha carreira. Mas, agora não penso nesse fim, penso em disputar os Jogos Olímpicos, mas sei o que está por vir.

Apesar do fim da carreira não ser o foco neste momento, o que pretende fazer depois que parar de jogar?
Meu maior sonho, depois de uma medalha olímpica, é ser mãe. Meu marido e eu temos esse plano. Não sei se logo depois de encerrar a carreira. Mas, por que não? Veremos quando chegar o momento. Na questão profissional, estou terminando a construção de uma pousada no litoral norte de Alagoas. Vou me mudar para aquele paraíso. Porém, não nego que gostaria de estar envolvida com o handebol de alguma maneira.

Como você pretende continuar contribuindo com o handebol brasileiro?
São anos dedicados ao esporte e seria mentira dizer que esse amor vai acabar. Nunca! Espero conseguir me envolver com alguma coisa e seguir dando minha contribuição para a modalidade.

*Entrevista fornecida pela assessoria de imprensa da CBHb.

O lateral direito Anderson (ao centro); antes de vestir a camisa do Taubaté, jogador passou pelo São José e Colatina-ES (foto: Jonas Barbetta/ Top 10 Comunicação)

Com 1,90 m, 99 Kg e 22 anos, o entrevistado da Top 10 desta semana é o lateral direito Anderson da Silva Mollino. Natural de Castelo (Espírito Santo), o atleta é um dos mais novos no elenco. Chegou este ano no Taubaté e quer fazer história no clube.

TOP10: Como você iniciou no handebol?
ANDERSON: Eu comecei na escola praticando vários esportes: basquete, vôlei, futsal e handebol. Nesta última modalidade eu me destaquei. Comecei ainda no colégio, depois no time da prefeitura e não parei mais.

Como surgiu o convite para jogar na equipe de Taubaté ?
Eu fui para o São José com 18 anos e lá joguei nas categorias de base. Ainda lá, tive a oportunidade de enfrentar o Taubaté e foi quando surgiu a proposta do técnico Marcus Tatá.

Você é um dos mais novos no Taubaté. Como está a troca de experiências com atletas que jogam no time e integram a seleção brasileira?
Profissionalmente falando, atualmente é a melhor experiência da minha vida. Estou tendo a oportunidade de conviver com jogadores que me passam mais maturidade e dicas. Está sendo muito importante este momento na minha carreira.

Este ano você teve a oportunidade de participar do Pan-Americano de clubes com o Taubaté. Foi à primeira competição internacional da equipe e sua também. Qual avaliação você faz?
Para o clube foi uma experiência sensacional, porque ajudou a alavancar a equipe. Pra mim também foi muito marcante e bacana, porque tive a oportunidade de jogar com atletas mais experientes.

Além do Pan-Americano, o Taubaté já jogou este ano os Regionais (campeão) e também o Super Paulistão (3º lugar). O que você achou desses resultados?
Nos Regionais foi a primeira competição que chegamos como favoritos e a pressão acabou sendo maior, principalmente na final. Mesmo assim fizemos uma excelente campanha. Já no Paulistão faltou pouco para chegarmos à final e batemos na trave. Apesar disso, nosso time está em evolução.

Taubaté está na semifinal da Liga Nacional. Nesta fase, o time irá enfrentar o Metodista /São Bernardo no final do mês. Como está a preparação da equipe, já que o Taubaté busca uma vaga inédita na final?
Estamos motivados e o elenco está fechado. Nosso jogo encaixa com o adversário e tenho certeza que será um grande clássico, um dos melhores do ano.

O que você pensa em relação a seleção brasileira?
Quando eu jogava nas categorias de base, eu só pensava em vestir a camisa da seleção e tive diversas frustrações. Agora no profissional, eu penso em fazer um ótimo desempenho no Taubaté para quem sabe resultar em uma convocação.

Quais são os planos para 2013?
Pretendo continuar no Taubaté, porque aqui tive a oportunidade de evoluir e quero manter esse ritmo. E quem sabe no futuro, pensar em participar das Olimpíadas 2016 aqui no Brasil.

*Taubaté jogará as semifinais da Liga Nacional Masculina nos dias 21 e 23 de novembro, contra a Metodista/São Bernardo, em local a ser definido pela CBHb.

Apoio: O Handebol Taubaté tem o apoio da Top 10 Assessoria em Comunicação Esportiva, Prefeitura de Taubaté, TCC, Unitau, Unimed, Tarumã, Oversound, Milclean, Seven 3D e RT Sports.