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Luigi Turisco, preparador físico da Seleção Masculina (Divulgação)

Da assessoria da CBHb

Preparador físico da Seleção Masculina de Handebol, Luigi Turisco é conhecido por utilizar técnicas pouco comuns para que os atletas estejam na melhor forma possível na hora de brigar por resultados. Desde que chegou à comissão técnica do Brasil, o preparador físico inova nos métodos de treinamento e recuperação da equipe. Na academia, ele utiliza aparelhos “alternativos”, faz yoga com os atletas, além de atividades lúdicas. Para ele, pensar ‘fora da caixinha’ é algo que pode melhorar a performance dos jogadores e fazer a diferença na parte física. Na entrevista abaixo, Luigi fala um pouco das técnicas que usa e do trabalho na Seleção Masculina.

Você é conhecido por usar alguns aparelhos alternativos na academia. Quais os benefícios desses acessórios?
Luigi – Não faço apenas um treino segmentado de uma academia comum, em que a pessoa trabalha um músculo por vez. Penso em treinos funcionais, para que os atletas trabalhem vários músculos e articulações ao mesmo tempo. Com isso, consigo transferir esse trabalho para o arremesso, por exemplo, no qual também se utiliza vários músculos em um só movimento.

Você também trabalha técnicas de yoga com os atletas. Por que você utiliza esse método?
Luigi – A ideia do yoga é para recuperar os atletas e complementar as atividades de quadra. Como o handebol tem muito contato e desgaste muscular, uso o yoga para recuperar a musculatura. Mas os benefícios não são apenas na parte física. Trabalho com eles a parte de respiração e concentração também.

Houve resistência para implantar esses métodos alternativos dentro da Seleção?
Luigi – No inicio houve um pouco de estranheza ao mesmo tempo que foi inovador, porque eram métodos diferentes do que os atletas e comissão técnica estavam habituados. Já no segundo momento os atletas ficaram meio desconfiadas se tudo aquilo iria dar certo. Depois de um tempo, os jogadores começaram a ver a eficiência das técnicas com melhoria na performance, na recuperação e na concentração e correu tudo bem. A própria comissão técnica entendeu o trabalho de uma forma muito bacana. Eles me deram praticamente carta branca para fazer todas as atividades que queria.

Há um mês, a Seleção Masculina fez uma semana apenas de treinamentos físicos em Atibaia (SP)sem que os atletas entrassem na quadra, o que nunca tinha sido feito antes. Como foi pensada essa semana no interior paulista?
Luigi – Essa foi uma fase multidisciplinar. O objetivo principal foi integrar todas as áreas da comissão técnica como a nutrição, a psicologia, a preparação física e a parte médica. Na minha área, o pensamento foi recuperar os atletas, que vinham, ou do final da temporada europeia, ou da disputa do Pan-Americano de Clubes. Ao mesmo tempo, o objetivo era potencializar a parte física com atividades alternativas. Fizemos um trabalho de força com luta, pensando na condição física geral; academia para potencializar e recuperar a musculatura; uma trilha morro acima, que foi uma atividade bem intensa; rafting, que o objetivo foi mais na parte da psicologia, mas a água gelada também ajudou indiretamente na recuperação dos atletas; e também um circuito de atividades no hotel, onde houveram treinos de capacidade física, força e velocidade. O objetivo de tudo isso foi deixá-los equilibrados e fortes fisicamente para as próximas fases de treinamentos e para os Jogos Olímpicos.

Nessa fase de treinamentos em Atibaia (SP), os atletas também fizeram coleta de sangue todos os dias. Como o resultado desses exames vai ajudar no seu trabalho?
Luigi – Com os resultados, conseguimos ver como os atletas responderam a cada tipo de exercício e identificar como podemos potencializar os treinamentos e melhorar a recuperação deles. Essas análises vão fornecer material para mapear melhor os treinamentos desses atletas e acredito que vão servir para as futuras gerações também.

Com todo esse trabalho realizado, espera algum resultado surpreendente da Seleção Masculina nos Jogos Olímpicos?
Luigi – Acredito que só conseguimos resultados diferentes fazendo coisas diferentes. Estamos há tempos com uma comissão técnica multidisciplinar que vem trabalhando duro e os resultados começaram a melhorar pouco a pouco. Os atletas vêm evoluindo e sempre esperamos pelo melhor resultado.

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