277547_583690_267343_550974_rogerio_e_nilson_web_

Nilson Menezes e Rogério Pinto estarão nos Jogos Olímpicos (Cinara Piccolo/Photo&Grafia/arquivo)

A experiente dupla de árbitros Rogério Pinto e Nilson Menezes completa 20 anos de parceria em 2016, e a recompensa não poderia ser melhor: atuar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A participação no maior evento esportivo do Planeta não é um sonho só dos atletas, todo profissional envolvido com o esporte quer coroar a carreira fazendo parte desse megaevento. A dupla brasileira, que já esteve na edição de Pequim, fala um pouco da expectativa de atuar agora em casa, sobre a preparação que está fazendo para isso e sobre as novas regras que serão aplicadas.

Vocês já participaram dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e agora estarão no Rio de Janeiro. Como vocês receberam a notícia dessa convocação para a segunda Olimpíada?

Rogério – Recebemos com muita felicidade. No cenário atual, são raros os árbitros com duas Olimpíadas no currículo e, por isso também, estamos muitos felizes. Assim como todo esportista sonha em estar nas Olimpíadas, nós, árbitros, também temos esse objetivo pessoal. Estaremos lá para representar a arbitragem brasileira e pan-americana. Trabalhamos muito para conseguir esse objetivo novamente. Participamos dos principais torneios nesse ciclo e agora estamos colhendo o que plantamos.

Nilson – Foi uma alegria imensa. Desde 2008, em Pequim, continuamos trabalhando para participar mais uma vez dos Jogos Olímpicos. Foi com muito entusiasmo que recebemos a notícia. Agora é trabalhar a cada dia como vínhamos fazendo e desfrutar do momento quando chegar as Olimpíadas.

Qual a expectativa de atuar em uma Olimpíada em casa?

R – É fazer o melhor possível. A responsabilidade é a mesma de outras competições. Claro que existe o diferencial de ser na nossa casa, com os familiares assistindo. Teremos a nossa torcida também e queremos agradar a todos.

N – Apitar em casa não é da mesma forma. A responsabilidade aumenta. Estaremos representando o Brasil, a América e nossos amigos estarão assistindo e esperando um bom trabalho nosso. Temos que retribuir à altura o convite da Federação Internacional de Handebol (IHF). Assim como esperamos que a nossa Seleção vá muito bem e chegue no pódio, também queremos apitar um jogo que valha medalha.

Antes dos Jogos Olímpicos, vocês também vão participar do Pré-Olímpico de Malmö, na Suécia, de 8 a 10 de abril. Será um bom preparatório?

R – Com certeza será um bom preparatório. Será um torneio muito forte. Os árbitros já terão que estar muito bem preparados, porque as equipes vão dar a vida pela vaga olímpica e nós vamos ter que controlar aquela ansiedade natural dos técnicos e jogadores.

N – Será um excelente preparatório. Serão quatro equipes brigando por duas vagas olímpicas. É uma oportunidade de ouro para nos testarmos. Não será fácil, mas a nossa preparação vem de cinco anos. Temos que dar continuidade ao trabalho que realizamos lá atrás e, nos próximos meses, estudar bastante para chegarmos na nossa melhor forma nos Jogos Olímpicos.

Em 2015, vocês foram convidados para atuar no campeonato suíço e qatari. Como foi a experiência? Ajudou na evolução de vocês?

R – Foram campeonatos fortes e com maioria de jogadores europeus. São culturas diferentes. Desenvolvemos um trabalho interessante e, com certeza, evoluímos com isso.

N – A experiência foi ótima. São níveis de jogo europeu. Arbitramos com muita tranquilidade e fizemos um bom trabalho. O pessoal da comissão de arbitragem da IHF, que estava nos avaliando, também gostou bastante do nosso trabalho.

Hoje, com toda essa experiência, como vocês avaliam o nível da arbitragem da modalidade?

R – A arbitragem está passando por um excelente momento. Nesses últimos anos, estamos tendo grande aprendizado com as novas tecnologias. Como as equipes evoluem, a arbitragem também precisa avançar. Aliás, temos que estar até um passo à frente dos clubes. Acho que a grande mudança nesses últimos anos veio a partir de 2010, quando foram definidos os critérios para punições para cartão, amarelo, vermelho e punições de dois minutos. Deixou o jogo menos interpretativo.

N – Mundialmente, a arbitragem evoluiu muito. Nos torneios internacionais sempre há uma ou duas duplas das Américas. Já no Brasil, está sendo desenvolvido um trabalho muito bom de formação e aprimoramento dos árbitros.

Como é o entrosamento da dupla, vocês têm sempre o mesmo posicionamento?

R – O segredo de trabalhar em dupla é justamente tentar manter o mesmo critério. Leva um pouco de tempo, mas trabalhando com a mesma pessoa você consegue um bom entrosamento para que os dois apitem com o mesmo estilo. A amizade fora de quadra também é importante para que tudo saia bem no trabalho.

N – A dupla tem que estar alinhada dentro e fora de quadra. Com o tempo os dois árbitros vão adaptando as suas características até os dois atingirem um ponto comum. Hoje nosso entrosamento é muito bom. Já nos conhecemos há anos e fica muito fácil trabalhar em conjunto.

Recentemente, a IHF implantou cinco mudanças nas regras, que vão começar a valer oficialmente a partir de julho, o que vocês acharam dessas mudanças?

R – Acredito que toda mudança que vem para melhorar o jogo é bem-vinda. Nesse caso, foi para deixar a partida mais dinâmica. As novas regras foram aplicadas nos Mundiais Júnior e Juvenil. Já estamos tratando desse assunto há um ano e as regras foram bem aceitas.

N – Essas mudanças já foram testadas nos Mundiais Juvenil e Júnior. Pelo que conversamos foram mudanças positivas. Quando elas entrarem em vigor, o jogo vai ficar mais dinâmico e o esporte mais atrativo. Para os árbitros será um trabalho maior para se adaptarem, mas com treinamento vamos pegando prática.

Vocês acham que foi uma boa escolha da IHF implantar as regras antes dos Jogos Olímpicos?

R – Acredito que elas vieram em boa hora. As regras já foram testadas e bem aceitas. As equipes já tinham conhecimento que isso poderia acontecer. Além disso, este será um ótimo momento para colocar as regras em prática. É um evento que será assistido em todo o Mundo.

N – No geral, as mudanças vêm sempre depois dos Jogos Olímpicos, mas foi um desejo muito grande que elas entrassem agora. Os técnicos também concordaram que elas poderiam ser aplicadas nas Olimpíadas, pois é o maior evento esportivo do Mundo e, como as novas regras são para trazer mais dinamismo, para a televisão, será uma boa ter um jogo mais rápido. Então, acho que a intenção é ver como todo mundo se adequa para depois analisar como o esporte ganha com isso.

Conteúdo produzido pela assessoria de imprensa da CBHb

Anúncios