243963_469687_braxesl_32A Seleção Brasileira de Handebol deixa o Qatar nesta quinta-feira (29) com um duplo sentimento. A tristeza pela eliminação para a Croácia nas oitavas de final por apenas um gol (26 a 25) e a alegria de saber que foi uma das grandes revelações do Mundial, que está sendo disputado em Doha.

Apesar de ter ficado na 16ª colocação, a equipe e o técnico Jordi Ribera sabem que a partir de agora, nenhuma grande potência da modalidade irá olhar para o Brasil da mesma forma. A evolução da Seleção foi clara e, mesmo tendo garantido apenas duas vitórias (Bielorrússia e Chile), fez adversários como a atual campeã Espanha, a Eslovênia, quarta colocada em 2013, e Croácia, medalha de bronze, suarem para fechar o placar com vantagens mínimas.

O melhor de tudo é saber que para o grande objetivo deste ciclo, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, o grupo está no caminho certo. Com um jovem plantel, com média de idade de 26 anos, o Brasil tem a certeza de um grande futuro. Os placares e a forma como o time encarou os adversários durante este Mundial, já demonstrou uma evolução enorme.

João Pedro, um dos jovens destaques do Brasil no Mundial

João Pedro, um dos jovens destaques do Brasil no Mundial

Como diziam os próprios jogadores ao final da disputa, antes o Brasil enfrentava adversários europeus e perdia por dez gols, depois por cinco, hoje, a diferença é de apenas um ou dois gols. Ou seja, são detalhes que precisam ser trabalhados para que alcancem o pouco que falta.

“Se fizermos um balanço desse Mundial, acho que merecíamos muito mais. Saímos com a cabeça erguida, mas muito tristes, porque acho que tivemos méritos para ir muito mais longe”, disse o técnico Jordi Ribera. “Temos que ser uma equipe ambiciosa. Uma das lições que temos que aprender aqui é que podemos, que estamos lá. Nos faltam apenas detalhes”, acrescentou.

Para ele, o que o Brasil conseguiu fazer em quadra vai muito além dos placares, preocupando equipes acostumadas a grandes decisões e a estar no pódio de importantes competições.

“Não somos uma equipe de grandes estrelas, mas enfrentamos o campeão mundial, o quarto colocado e o medalha de bronze. Nenhum destes países, que têm atletas jogando nos melhores times da Europa, foram capazes de nos vencer de forma clara. Sempre tivemos a possibilidade de ganhar. Eu deixo o Qatar muito triste porque sei que hoje, o handebol do Brasil merecia estar nas quartas de final”, continuou Jordi.

José Guilherme, uma das apostas para os Jogos do Rio 2016

José Guilherme, uma das apostas para os Jogos do Rio 2016

Ele projeta um futuro promissor para o handebol masculino do Brasil já para os Jogos Olímpicos de 2016. “Nesse Mundial mostramos que temos argumentos para brigar com qualquer equipe. Nos falta dar um passo a mais. Evidentemente, jogar em casa pode nos fazer dar esse passo adiante”, argumentou.

Jordi conta também que a preparação vai seguir cada vez mais forte, segundo planejamento feito pela Confederação Brasileira. “Até o final de 2015, vamos seguir com um trabalho similar ao que estamos fazendo, levando em conta que temos vários atletas jogando na Europa e somente podemos fazer fases com eles, quando tenham folga dos clubes. Já nos últimos seis meses, vamos ver a possibilidade de que esses atletas estejam mais tempo concentrados e a nossa disposição. Teremos um ano e meio até lá. Nesse tempo, vamos disputar alguns torneios, tanto no Brasil quanto fora que irão nos ajudar na preparação”, contou.

Porém, antes de pensar nos Jogos Olímpicos, Jordi terá que trabalhar duro para os compromissos ainda deste ano. Em julho, a Seleção irá disputar os Jogos Pan-Americanos de Toronto e, apesar de ter vaga garantida para o Rio, quer sair com a vitória.

Além disso, a Seleção Júnior, que conta com atletas que foram revelação no Qatar, como o central João Pedro Silva e o armador José Guilherme de Toledo, tem o Mundial da categoria no final de julho.

“Infelizmente teremos um choque no calendário entre essas duas competições. Mas são coisas que não temos controle. Além de estar no Pan, gostaria muito de estar no Mundial Júnior, porque é uma categoria importante e com atletas que podem fazer a diferença no futuro.”

Retorno – A Seleção Masculina de Handebol chega ao aeroporto de Guarulhos (SP) às 19h10 desta quinta-feira (29), voo Turkish Airlines 015. Somente retornam ao País os atletas que atuam em clubes nacionais e a comissão técnica, incluindo o técnico Jordi Ribera.

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